" [...] Aquele que adere a uma lei não teme o julgamento que o reinstala numa ordem em que crê. Mas o maior dos tormentos humanos é ser julgado sem lei. Nós vivemos, porém, nesse tormento. Privados do seu freio natural, os juízes, soltos ao acaso, redobram as bocadas. (...) Os profetas e os curandeiros multiplicam-se, apressam-se a chegar com uma boa lei ou uma organização impecável, antes que a terra fique deserta.[...] "
Albert Camus, in «A Queda»
- São tempos muito incertos os que hoje vivemos. À parte do folclore de máscaras e luvas, o sorriso das pessoas, se existe, anda escondido... e nem a tecnologia mais moderna lhe pode outorgar humanidade.
Sem rir muito, mas cantando ou ouvindo cantar quem sabe, ou quem pode, vai-se levando a vida...Porém, para a grande maioria, leva-se com que sofrimentos, com que inconfessáveis carências, sem auxílios possíveis, sem esperança de luz ao fundo do túnel; e mesmo antes, quando se não conhecia a presença invisível dum inimigo mortal.
São seres humanos malfadados que não sei se se ocupam a julgar outros, ou se se julgam a si mesmos, mas se vêem a ser julgados como não importantes, completamente descartáveis, pelos grandes senhores do mundo.
Como será que a crise social, nestes tempos mais que incertos, comutarará mudanças comportamentais profundas nos humanos ditos civilizados?...
Por ora, não há leis vigentes ou suficientes que respondam a quem mais precisa. É facto.

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