O tempo da pressa...



Ouve-se dizer que a pressa é inimiga da perfeição. Porém, nos tempos de hoje já nem os artistas se preocupam muito com isso desde que os defeitos começaram a ser motivo de beleza...ou se aprendeu a saber tirar partido deles para fins estéticos. 
Assim é: modernamente o feio já não é inimigo do belo, mas condição para.
O tempo que vivemos caracteriza-se pela pressa para todo o tipo de actividades. Há em tudo e por tudo pressa. E essa imensa pressão leva a que as pessoas mal escutem o que se lhes diz, que interpretem erroneamente as palavras de outrem e  acreditem  apressadamente em tudo que ouvem.
E há lá paciência para inquirir se a informação corresponde à verdade? Não, até porque é mais fácil acreditar... e pronto!

Se por acaso se vem a descobrir não ser verdade, será que há tempo e vontade de desmentir? Sim, porque , apressadamente, falou-se no assunto aos amigos e conhecidos... É que não houve ocasião para  reflectir se era ou não verdade...  E há quem se aproveite maldosamente da proverbial falta de prudência em propalar de imediato tudo que se ouve. Mesmo os erros de um outro deviam merecer a nossa compreensão...Mas não é assim, porque se não temos tempo de dormir, também não sobra para sentir empatia pelos problemas do próximo.
As palavras sensatas chovem no molhado, segundo o provérbio. Os nossos ouvidos estão secos e surdos, dada a poluição sonora que os rodeia. O silêncio é de ouro , dizem, quando se cala o erro de um outro para lhe evitar a humilhação. O que, por norma, se não faz.
Pelo longo caminho percorrido pela humanidade, está longe a filosofia do dente por dente  e  olho por olho  dos textos bíblicos. Talvez que a descrença generalizada na justiça actual tenha a ver com o abandono deste tipo ancestral de justiça. Com a pressão em que se vive hoje, atropela-se os inocentes e aplaude-se os culpados dos piores crimes, desde que os criminosos tenham dinheiro e posição social. Dificilmente se escapa hoje a esta insofismável verdade... 

Quando a chuva cai...
Ressequida, tudo a terra  bebe.

... Pena que caia e não penetre fundo nas mentes humanas tal como a chuva na terra.

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