Dias sentidos...

Hoje foi um dia desses... sentido. Sentido nas costas e pescoço por ter ontem pegado num saco com 50 quilos... e não devia, foi o que me foi dito pela minha personal trainer quando me queixei... Sentido na alma por não ter tido a coragem de descer os três degraus até à quintinha das pedras para apreciar os borbotos, as flores, as guias das árvores novinhas que plantei ainda não há três anos... e em breve estarão em flor
Disseram-me um dia que falar com as plantas dava resultado... Não sei se dá, mas por via das dúvidas passo por elas e mostro-lhes toda a minha admiração por ver como resistiram às geadas e resistem agora ao sol inclemente que lhes transmite calor mas também incomoda o verde tenrinho das suas folhas quando os brotos começam a desinchar, a abrir, num  lento parto vegetal.
Ontem, o vento que soprava de norte era violento e gelado. Hoje, ausentou-se e o ar estava tranquilo  e convidava a andar. Porém, quebrada por dentro, amolgada por fora, desisti de visitar a natureza. Vi--a de longe, admirei-lhe o viço e as cores variegadas das ainda precoces flores. Mas fez-me falta, porque gosto de visitar os seres que amo, como as sardaniscas que não me temem, ou as joaninhas que estão agora a nascer... 
Não foi dia de alimentar os pássaros... mas, da janela, segui-lhes os voos rápidos, inquietos; velozes na fuga ou na perseguição de uns aos outros. Chegam a roubar comida do bico dos companheiros, os danadinhos... 
E nem sabia que ratitos do campo têm vindo comer  painço,  milho cortado, alpista e outras sementes que sirvo aos pássaros. Vi um dia destes um muito pequeno e ladino, a esgueirar-se por entre as pedras amontoadas. A minha primeira reacção foi: -Não o mates! 
Não voltei a vê-lo, depois disso.
Coitadinho, também tem fome...


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