Dos enganos ...

Há duas idades na vida em que não nos preocupamos... e nem nos preocupamos: - são a tenra infância e a provecta idade. 
Na infância porque não conhecemos a vida. Em idade avançada porque a conhecemos demais e achamos que nem vale a pena.
De facto, só vale mesmo a pena se conservarmos ainda algumas ilusões sobre o nosso semelhante. Se  nem isso, há que afivelar a máscara da idade e continuar a ser , ao menos, fiel a si mesmo.
Conforme se exercita o físico para melhorar a flexibilidade do corpo, também se pode exercitar o espírito para flexibilizar a destreza pensante, demorando leituras, aprofundando assuntos, reflectindo sobre dados que não correspondem a outros adquiridos em épocas passadas.
De facto, as motivações mudam com o tempo. O que outrora se fez com paixão, hoje pratica-se como forma  de agilizar o espírito. Ficou para trás a frescura, a loucura, a ilusão... e das cinzas de tudo isso nascem processos de entreter o spleen, até porque, entretanto, mudaram as prioridades.
Já nem se sonha ou se debatem pesadelos nocturnos. Quando existem, são diurnos e tudo se faz para os espantar ou contornar.
É que também se aprendeu que não vale a pena enfrentá-los, sobretudo se as pessoas apoucam o nosso conhecimento,  julgando que tudo que porventura é  publicado lhes seja dirigido.
Funcionamos à maneira de um dilettanti da escrevinhação. Não se aflijam.

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