-« ... Que tempo é o nosso?»
- « É um tempo de uma espantosa crueldade e de uma angústia para que não há nome. Como se não bastassem já os anteriores alarmes (poluição das águas, da atmosfera, explosão demográfica, crianças a morrer pelos vários cantos do mundo) temos agora todos esses mísseis apontados ao coração, que não tardarão a multiplicar-se como os pães do milagre.Uma catástrofe nuclear nunca esteve tão próxima. A corrida aos armamentos não pára - e sempre as armas tiveram o homem por alvo - e, se vier a parar, não bastará o lixo atómico para pôr a vida da terra em perigo? É uma civilização de bárbaros, a nossa. De bárbaros.»
Transcrevi um pequeno excerto de uma entrevista concedida em 83.07.24 a Antónia de Sousa, jornalista do Diário de Notícias.
Três décadas depois destas palavras do poeta será que melhorou em alguma coisa o panorama do mundo?...
De então para cá, agudizou-se mais e mais o pesadelo quotidiano em que vivemos. E não adianta tentar olhar para o lado ou construir torres de marfim... até o ar que eu hoje respiro na minha casa se encontra contaminado com os cheiros da combustão das pellets do aquecimento das vizinhas... E a minha garganta irrita-se cada vez mais e incham-me os brônquios com as microscópicas poeiras. Constam que são cancerígenas. Não sei, mas provocam-me tosse e prejudicam-me a irrigação cerebral.
... E quem (me)/nos poderá valer?...
Talvez os deputados da AR, quem sabe?...
É que quanto ao delegado da saúde cá do sítio já nos informaram que não.
Talvez nos possa valer a compreensão das vizinhas...
Talvez nos possa valer a compreensão das vizinhas...

Sem comentários:
Enviar um comentário