Sentindo a vida...


Pensamento do dia:
A morte nem sempre é inimiga.Enquanto à afronta, o amor é capaz de vencê-la. Duas pessoas que se amam não podem ser separadas. Uma torna a outra eterna e a preserva da destruição, subtraindo-a ao esquecimento. Viver quer dizer frequentemente separar-se. Morrer quer dizer reunir-se. > >Antonin Sertillanges.

Não me lembro onde respiguei a frase, mas encontrei-a numa sebenta de rascunhos, daquelas que se tem à mão quando se quer fixar uma qualquer ideia, um pensamento, uma emoção sentida, sem saber frequentemente o que se fará com ela. Estava datada  de Novembro de 2012, segundo apontamento avulso. 
Deixou-me a pensar até que ponto me terá influenciado, ou se veio responder a uma qualquer intuição que já morasse dentro de mim.
Tive curiosidade e lá fui consultar a Wikipedia. E eis o que coligi, para além da imagem do autor.

De nome Antonin Dalmace  Sertillanges, nasce em França em 1863, e vem a falecer no ano de 1948. 
Escritor, filósofo, professor e teólogo, defensor da escola tomista, veio a ser frade dominicano sob o nome de Antonin-Gilbert.
As suas influências fundamentais têm origem em Aristóteles e Tomás de Aquino e, entre outros, irá influenciar Jacques Maritain, outro filósofo do séc XX.
Nunca me dei ao trabalho de ler filósofos, mesmo no tempo longínquo em que estudei rudimentos de filosofia, talvez porque o abstraccionismo exigido fosse alheio à minha forma de ser mais observadora e emotiva. Contudo, hoje os romances de cariz tradicional aborrecem-me se não trouxerem informações de cariz psicológico, social, documental sobre o homem e a sociedade. Prefiro um bom documentário sobre ciência, natureza, costumes sociais e/culturais das várias regiões do mundo, história, ou sobre arte, qualquer que seja o ramo, do que aprofundar dramas descabelados, com crimes hediondos, vinganças, vícios. Vou suportando ainda os clássicos, mais equilibrados. Tive a minha quota parte de grandes dramas na literatura francesa, inglesa e russa, para não falar do nosso Camilo que nunca consegui ler na totalidade, apesar de rendida ao seu estilo suculento! Analisar o Amor de Perdição com adolescentes foi de longe pior que dissecar A Sibila de Agustina!... Nem eu nem eles gramávamos aqueles exageros sentimentais ou exaustivamente descritivos e psicológicos!...
Ossos do ofício... que o não há sem ossos
De filosofia popular, incorrecta e imediatista, dessa,  percebo eu.
Assim, dos filósofos - e possuo obras várias na minha biblioteca, compradas por necessidades de estudo, ou herdadas - limito-me a respigar o que preciso, por achar basto indigesta uma leitura aturada dos mesmos. 
Durante anos, o meu livro de cabeceira foi o Don Quijote  no original. Fascinava-me aquela loucura inteligente, frequentemente anárquica. Talvez porque me identificava com a sua forma de criar ilusões e lutar de peito feito contra as injustiças da vida e da sociedade. 
E que me perdoem os filósofos...
Porém, pela vida fora, cada um de nós vai construindo as suas bases de pensamento sobre o mundo e a vida, como forma de escapar à angústia de uma existência sem horizontes para além do néant, do desconhecido, para o qual a ciência não vai dando cabais respostas.Ou as que se desejaram.
Por alguma razão, durante o meu percurso existencial, acabei por chegar a esta concepção, que não interessa se é aristotélica, tomista...o que seja! Mas se o ser humano não se redimir da sua natureza egoísta/comodista, através do amor e de outras mundividências congéneres, como a arte, ou o trabalho fecundo em prol da ciência e do equilíbrio deste pequeno planeta azul em que viu a luz do dia... toda a energia de que é portador não vai ter sentido e perder-se-á numa incógnita distância sem razão para ter valido a pena haver nascido.
Nisto, eu creio. Daí que a morte não me impressione por aí além e só me aflija por pouco poder para  atalhar ou ajudar ao sofrimento físico ou existencial dos seres e de que a maioria nem se apercebe.

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