domingo, 9.01.2018
saio na noite fria para sentir a temperatura do ambiente. sempre gostei da noite e dos seus quase imperceptíveis ruídos, dos odores fortes que a terra exala e de contemplar o céu mesmo com a dificuldade que as luzes das cidades frustram, olhos marejados de lágrimas provocadas pelo frio húmido e o vento vagamente agreste, e que quase ocultam as múltiplas cintilações da Via- Láctea de que o planeta azul, que nos abriga,é só uma ínfima parte.
... saio com a sensação duma aventura que se inicia, sentindo sob os pés ainda mornos a algidez do solo, por onde caminho aos tropeções, de site em site: olho, quase penetro intimidades que pouco me afectam, escuto e, através das janelas das minhas emoções e da minha capacidade de julgar, pergunto-me o que faço ali afinal, quando muito pouco já me surpreende pela positiva, quer na beleza da forma, quer no conceito, mas ainda esperando encontrar a pureza ingénua de uma imagem, graça ou harmonia numa melodia de sons ou de palavras, ou mesmo dor sentida ou alegria genuína numa emoção. porém, poucas são as pessoas capazes de sentir fingindo, ou de fingir sentindo.
...e, por vezes, acontecem pedacinhos de arte que prendem , que encantam.
... refaço lentamente os meus parcos passos na madrugada insone, levemente descoroçoada sem bem saber porquê, numa espécie de raiva mole contra citações de consagrados, dos dias dedicados às preocupações de índole sócio-política, culturais ou outras. A névoa adensa-se, corrói-me os ossos e dou-me conta de que preciso alongar, distender o esqueleto.
Afinal, amanhã - dizem - vai chover.

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