Deus, nós, os outros e a imensidão...

«Deus é a minha consciência da imensidão.»

Algures, em 22.03.2016

Fiquei a pensar na frase... Sobre a noção de Deus, nem sei se é perfeito ou imperfeito. Se é justo ou discricionário. Ou se é uma amálgama dum tudo ou dum  nada. Na natureza que me cerca observo a permanente mutação dos seres, ora silenciosa, ora clamorosa. Na mudança permanente deve residir a razão de tudo o que não abarco com a razão ou com o sentimento ou no equilíbrio de ambos.
Nos seres de qualquer espécie, agora fenecidos, que amei, sei que deixei muito de mim porque a sua recordação me persegue, ora em jeito de bênção, ora de anátema. Neste último caso, sinto ser-me difícil aceitar.Ainda menos perdoar. Contudo,como exercício teórico, posso compreender.
A consciência da minha solidão perante a vida e a morte como um todo persegue-me com intensidade, mas sinto-me em paz enquanto tiver forças para lutar por alguma qualidade de vida: sempre a possível, que não a desejável.
A cada momento luto para me conservar lúcida, consciente. Afasto para longe o sofrimento por nele reconhecer  o ferrete da marca da ansiedade latente. Ansiedade é, em mim, medo disfarçado a  envolver a necessidade premente de mostrar coragem; por vezes, e apenas, ansiedade é a pobre máscara para a vontade de me querer sobrepor à adversidade.´
Considero, porém, o enfrentar da vida, o mundo das pessoas que giram em torno, a grande adversidade. A sensação de adverso aumenta na proporção directa das desilusões que nos desgostam, nos desgastam e nos cansam. Agarrarmo-nos aos valores que defendemos é, afinal,a confissão da nossa solidão perante esse mundo imenso que nos desencanta.


O mundo animal é cruel, tanto dentro, quanto fora de nós, humanos. O animal humano, porém, mostra capacidade para o melhorar, ou para o tornar ainda mais repulsivo e atroz. Basta reparar que é o homem o único animal que mata por prazer, por vingança, por cobiça, por ciúme e não tão só para se alimentar ou defender território.
Parafraseando o pensamento de alguém, quanto mais conheço as motivações de certos humanos maior é a minha consideração pelo mundo animal, a despeito da crueldade de procedimentos na conquista por alimento, ou na defesa.  E na imensidão de ideias e sensações  que avassalam as muitas ou poucas horas que me faltarão para me dissolver num nada, ou num todo, não questiono Deus apesar das muitas dúvidas ... para que não espero já respostas. A ideia de Deus, afinal, reside em mim e nos valores do belo, bom e justo que nutro e defendo.


Voltando à frase inicial, a noção abstracta de Deus pode resumir-se à consciência da imensidão? De tudo o que desconhecemos? Ou do muito que sabemos que nos falta conhecer? 
 E qual é a razão permanente da mudança, da evolução?... talvez o único caminho para uma perfeição possível, raro absoluta?
Os universos de dúvidas ou certezas chocam-se... Haverá muitos mais possíveis universos para além deste que afinal mal conhecemos?...
... A começar por nós?...




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