![]() |
| " Pessoas com medo dificilmente são doces" - J Rentes de Carvalho |
(Julho/2015)
Embrulho-me na recordação de um doce e enternecido abraço antes de sentir que a insónia me espreita. E contudo estou em paz : nada espero nem desejo, nem o leve sono duma noite anormalmente fresca deste verão seco e enlouquecido em que as temperaturas quase sempre rondam os 40ºC., no início da tarde, roubando às rosas a cor, a fragrância, o acetinado das pétalas que rapidamente se encarquilham sob o incêndio de um sol a pique num azul radioso que parece faiscar e lançar sobre a pele ar liquefeito... Nem apetece o trabalho senão depois do sol ser engolido pelas sombras...ou nem isso, se uma brisa serena e fresca não ajudar a esquecer o braseiro intenso em que se debateu o dia.
Sempre em férias, sonhando com o mar, lá tão longe, a que pertences...
Sei que não me dou com o inferno que me queima implacavelmente a pele e sei que, às portas da morte, não me deixarei arder sobre uma qualquer pira desconhecida e sei também preferir alimentar a terra e transformar-me em húmus. Serei pasto de vermes e depois, talvez, alimento de rosas, na tradição milenar e harmoniosa de todos os bichos e seres que assim finalizaram os seus ciclos de vida.
Estas não são as preocupações que me provocam insónia... O calor que sufoca, sim.

Sem comentários:
Enviar um comentário