Antes a chuva...




Foi um ano estranho de Páscoa... nem recebi, nem desejei Boa Páscoa aos amigos, mas fi-lo  aos quase estranhos com quem me cruzei. A família visitou-se, falou irritadamente - ou não - dos seus problemas e desandou para tarefas e preocupações do quotidiano com a naturalidade de quem se conheceu desde sempre. Só as crianças trazem uma lufada de natural despreocupação e leveza de contacto quando sorriem perante um chocolate ou um brinquedo. Os adultos trocam amêndoas, acusam stress e confessam angústias. Só sorriem perante a mesa recheada com as vitualhas próprias da quadra,  e por habituados a elas, já nem lhes dão valor. 
Contudo, ao descer até ao quintal para alimentar os pássaros, trouxera, apesar do vento forte, e do coruscante sol a pino,  os olhos plenos de milagre e cor: das plantas mais humildes às mais requintadas, tudo combinara florir para este domingo de festa!...
Uma espécie de milagre das rosas com ainda poucas rosas... uma delícia para os olhos de um coração alheado, quase distraído, que se esqueceu de sentir.
Senti, porém, o vento forte e o calor do sol. 
E pouco antes do poente, voltou o frio e chegou logo a noite - tudo porque amanhã chove outra vez - a Deus graças!...ou à depressão a norte dos Açores - com pena minha pois vai melar o que hoje  vi e me confortou o viver.
Paciência... Antes a chuva que a seca!

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