Guardar dentro de si...


Há uma passagem no Evangelho de João, creio, que faz alusão à vida de Jesus criança e à forma como Maria, sua mãe, reagia a atitudes pouco convencionais do filho. É uma frase muito sucinta que contudo sempre me impressionou: « E Maria guardava todas estas coisas dentro de si.» O que significa que as ia anotando sem as sem as nomear.
Este silêncio de Maria perante pequenas atitudes que não comentava, talvez por entendê-las bem demais, mostra o amor genuíno mas discreto de Maria para com o filho. Na sua humildade, Maria não se achava digna de comentar ou ajuizar.
Limitava-se a esperar.
Por norma, resume a minha atitude perante factos e afirmações que me chegam, qualquer que seja a via: recuso-me a comentá-las porque sinto, frequentemente, ultrapassarem a minha compreensão em termos de equilíbrio e razoabilidade.
Como comunicar tudo isto em devido tempo?
Há situações no dia- a -dia que me irritam por serem julgadas de forma mesquinha. Recuso formas medíocres de julgar os outros, ainda que esses outros envergonhem enquanto pessoas. Prefiro calar e afastar-me, sem espalhafato.
Sei que sofro mais por isso, mas prefiro.
Quando  respeito muito, ou admiro muito alguém, costumo refrear ao máximo o meu entusiasmo que calo dentro de mim.

Ver hoje nas ruas, nas escolas, nos programas em directo de televisão, nos filmes nacionais e estrangeiros em conversas ao telemóvel ou nas mesas de restaurantes e cafés, gente que grita sempre à beira de um ataque de nervos põe-me doente! 
Frequentemente me indigna ou me espanta! 
E quase me aterroriza!

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