Insónia...

                                  

Foi a insónia fiel e zelosa companheira pela noite dentro. E aconteceu porque, contra o habitual, condescendi em sair do meu refúgio para socializar... Bebe-se um aperitivo, , come-se uma  ou outra comida com mais sal  do que o costume, tudo acompanhado de, pelo menos, um copo de um vinho escolhido e, por fim, saboreia-se uma sobremesa, deliciosa, mas cheia de calorias, toma-se um café e entabulam-se conversas  com pouco ou nenhum interesse entremeadas de risos, mais ou menos circunstanciais ou sinceros, conversas essas em que pouco ou nada nos empenhamos por estarmos cientes de que não vale a pena discordar abertamente de qualquer posição emitida, por sabermos, à partida, que nada do que dissermos irá modificar o que que seja; e, se formos mal interpretados ao reproduzirem-nos até nos pode prejudicar junto de terceiros... Enfim,  toda uma cadeia de ses  que  acabam, mais tarde, por fazer voar o nosso sono com a agravante de nos obrigar quase a recordar pedaços de banalidades ditas e escutadas umas horas antes... E nem adianta pegar num livro para fugir à catadupa de lembranças, ou tomar um chá temperado com uma nuvem de leite, ou vir até ao computador, que alguns desses lugares comuns sociais que rolam na nossa cabeça como aquela fita a correr sob o noticiário de alguns programas de televisão (servem para nos fazer perder a paciência se alguém ao nosso lado se põe a ler em voz alta essa fita legendada e nos obriga a perder o fio à meada da notícia principal...)  é que  não dá mesmo: o sono fugiu para a estratosfera!  
E há que relembrar exactamente o que queríamos esquecer a todo o custo, banalidades do tipo:
«Escuso perguntar se tens passado bem...Estás óptima! Vê-se que o tempo não passa por ti.»
Nunca sabemos se o cumprimento é sincero. Limitamo-nos a agradecer ou a dizer sorrindo :
«São os teus olhos...»
 Contudo, mesmo que o rosto não apresente marcas muito visíveis do tempo vivido, ou o pescoço não tenha pregas, ninguém nos vê a alma, que, essa,  é uma prega só...



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