As nossas amigas e inquilinas das primaveras creio que foram à vida, pois deixei de ouvi-las chilrear. Falo das toutinegras que encheram de movimento e ternura as minhas manhãs primaveris. Agora são melros, gaios e pardais que não vão de férias e dizimam implacavelmente os girassóis da "quintinha das pedras" que não sofre com a seca porque não consigo deixar que as plantas morram. O feijão verde está a deixar de produzir grandes vagens porque o Sol deste Agosto é impiedoso e matura-o antes de crescer...
E é pena, porque é uma delícia...
As flores dão, contudo, e agora, uma alegria que o inverno rigoroso não consentiu. E quando desço à quintinha sinto a felicidade de quem nem pensa em comprar supérfluos porque investe em oligoelementos apropriados para a agricultura ecológica.
Afinal as nossas toutinegras deixaram o ninho, mas ainda descem à quintinha onde vão alimentar-se. Estive lá há pouco e vi uma a esgueirar-se rapidamente e pousar num telhado para me espreitar. Deixaram o ninho, mas criam forças para a travessia até ao norte de África, tal como as andorinhas de cidade, que vejo agora escassear por aqui. Em contrapartida, as pombas estão a instalar-se e há quem as alimente como eu faço. Formigas e passeriformes alimentam-se em bando das sementes das flores fenecidas dos girassóis. Mas o calor é tanto que só na madrugada, ou ao pôr-do-sol, as aves descem de árvores frondosas como os carvalhos, pinheiros e velhos medronheiros para se alimentarem. Acho giro quando as ouço discutir umas com as outras numa gritada algaraviada e que soa aos meus ouvidos como a melhor e mais sábia das melodias... e me faz sorrir.

Sem comentários:
Enviar um comentário