Foi nestas entradas dos dos púcaros azuis, que as toutinegras deram vida a quatro crias. Na altura em que fotografei, ainda as últimas duas estavam no ninho e os progenitores afadigavam-se a caçar e transportar bichinhos para as alimentarem.
Já saíram do ninho há mais de uma semana, mas ainda voam muito por aqui à procura de alimento. Bichinhos não faltam, claro, pois me recuso a matá-los. Todos os seres, enquanto nascidos, têm direito a viver.
Dou-lhes incondicionalmente esse direito, visto não poder dar-lhes vida. Bem basta um qualquer deus desconhecido que os fadou - e a todos nós - a alimentar-nos em cerrada cadeia, o que faz com que não consiga, ainda hoje, assistir aos documentários sobre a vida selvagem e não estremeça de horror ao ver a perseguição feroz de uns predadores sobre os outros com o fim de matar para se alimentarem.
Não sou vegetariana, porque acredito que as plantas sofrem e morrem como os outros seres...pelo menos aos meus olhos enternecidos face à beleza do mundo natural. E sinto que as sementes são projectos de vidas por nascer...
Neste calor esbraseante, não me importo de pagar contas fabulosas de água para não ver morrer as rosas. Ou outras flores e plantas mais humildes como eu... Tal como compro rações para alimentar os pássaros. Há melros que fazem concertos a agradecer... Ou são fruto da minha imaginação?
Talvez, mas fico contente só de os ver aproximar-se sem medo, com a certeza que nada ou ninguém lhes fará mal neste cantinho de paz e harmonia que procuro criar para eles.
Filosoficamente, tenho-me consolado a comer os legumes e os morangos semeados ou plantados no meu quintalinho. Sem remorsos, claro, o que seria ridículo.
... Até descobri, recentemente, que beldroegas é planta que não precisa ser plantada - nasce espontânea, é cheia de vitaminas e imensos sais minerais, e come-se muito bem em sopas e saladas.
Sem comentários:
Enviar um comentário