Acordei para a manhã de brumas com o pensamento no poema de «Mensagem» de Fernando Pessoa e dei-me conta de que estava em oração. E como esta era silenciosa, recolhida, em acção de graças, resolvi-me a procurar o livro de poemas na estante e recitar em sussurro contido o poema Prece, cujo teor e sonoridades me martelavam o pensamento.
Aqui o transcrevo com o respeito devido ao grande poeta, simples,humilde na sua forma de ser, mas enorme em inteligência, sensibilidade e talento:
Aqui o transcrevo com o respeito devido ao grande poeta, simples,humilde na sua forma de ser, mas enorme em inteligência, sensibilidade e talento:
Prece
Senhor, a noite veio e a alma é vil,
Tanta foi a tormenta e a vontade!
Restam-nos hoje, no silêncio hostil,
O mar universal e a saudade.
Mas a chama, que a vida em nós criou,
Se ainda há vida ainda não é finda.
O frio morto em cinzas a ocultou:
A mão do vento pode erguê-la ainda.
Dá o sopro, a aragem, - ou desgraça ou ânsia -,
Com que a chama do esforço se remoça,
E outra vez conquistemos a Distância -
Do mar ou outra, mas que seja nossa!
E outra vez conquistemos a Distância -
Do mar ou outra, mas que seja nossa!

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