Esta é a posição em que de há muito - já nem sei desde quando, pois nem sempre assim foi - me habituei a adormecer. Porém, não agarrada a uma almofada ou travesseiro, senão a mim mesma, como se quisesse defender-me de um qualquer ataque durante o sono que nem sempre surge quando desejo. E a insónia, não tendo sido considerada como inimiga a não ser em situações de profunda crise depressiva, foi sempre encarada como a possibilidade de um tempo extra para ler o jornal que mal se folheou, ou o livro que espera ser continuado ou finalizado, ou o trabalho de mãos que nos ocupa no momento, ou ainda aquela frase melódica que resume um estado de alma e baila, ainda um pouco lassa, como folha ao vento e urge tentar tornar realidade num qualquer pedacito de papel para que não esqueça.
O papelão macio que enformou as meias novas costuma ser, de há muito, assim reciclado. A teimosa melodia de uma sensação/ideia em palavras poderá ser então aproveitada, reinventada ou não; mas, ao impor-se, num primeiro momento, não convém que seja ignorada. Às vezes traz resposta a inquietações interiores que só assim sobem ao plano do consciente. E como ser dotado de razão, este tem de aprender a objectivar tudo que de novo ou inquietante ali chega.
Adormecer nesta posição, implica que, a meio da noite, precise de distender todos os membros como um gato que se desenrosca, e precise de fazê-lo de forma igualmente lenta para não castigar desnecessariamente os tendões do pé, ou dos joelhos, tão sobrecarregados que foram ao longo de toda uma já longa vida sem nunca terem sido poupados.
Tão castigados que somos pela vida por não nos terem ensinado que o corpo humano é uma máquina maravilhosa, mas falível !... e, enquanto tal, deverá ser o mais poupada possível desde cedo para conseguir ser utilizada nas melhores condições, dado que a sua reciclagem, enquanto organismo vivo, inteiro, conhece, por agora, muitas e muitas limitações...
N.B: Será que vai apetecer a alguém sobreviver amarrado a uma cama, ou a uma cadeira, e somar anos só por somar?...
Pode não se ter outra alternativa e haver que encará-la com o necessário respeito e dignidade . Mas viver jovem dentro de um corpo de velho não é condição desejável.

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