Nemátodo do pinheiro


Pinheiros seculares, alguns altíssimos, outros mais frondosos, estão a morrer na vizinhança: pegaram a doença  a um irmão, ou primo, mais novo - um dos encantos dos meus olhos quando acedo às janelas voltadas a sul e cuja copa robusta tapa, em parte, a eventual coscuvilhice visual de alguns vizinhos.
A doença de que sofrem tem um estranho nome: nemátodo. Passei uma tarde em pesquisas para perceber se eram as chuvas, o calor, ou um determinado insecto, que a provocava. Contudo, o que mais me impressionou foi que não há tratamento possível e a cura é radical: - o abate irremediável. 
Confrangeu-me pensar nas sucessivas eutanásias desses quatro ou cinco pinheiros seculares que me são caros, irmãos ou primos de todos os outros que tanto lamento saber que sofrerão idêntico destino na zona em que habito!... E sofro por antecipação pelos três bebés-pinheiros que plantei há um ano, na minha quintinha das pedras...
E saber eu que a doença é de tal ordem que nem o cerne- a sua carne, a madeira - tem aproveitamento possível! 
É sem reciclagem.
A natureza dá sinais permanentes do seu sofrimento, por constituir um todo vivo e actuante. E nós, os seus predadores mais ferozes, ignoramo-los. Continuamos com as agressões que abrem feridas cada vez mais fundas nos solos, no ar, no meio ambiente... E hoje, amanhã, também nós adoecemos e será  então a nossa vez de conhecer um qualquer fim. A maioria dos homens modernos exige a cremação como uma espécie de purificação final pelo fogo . 
E quem cá for ficando...ora!, que se ajeite!



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