Ouvindo o trovão e a chuva intermitente...



Começou a trovoada...
E chove, chove... 
 o verão deixou os campos sedentos
 o fogo consumiu vidas, árvores, seres
e agora a natureza chora,
 saudosa de tudo o que já foi

(também choro
por haver secado a torrente
dum desespero incontido)

como tinha saudade de ouvir os sons cavos 
e fortemente ribombantes 
 de uma trovoada de fim do inverno!...
conquanto sabendo que não dará azo
 à beleza de um qualquer arco-íris...

( pré anuncia-se que frio,neves, gelos, tornados, chuvas
 e tempestades cruéis num mar revolto e indomável
se estenderão até à primavera)

contudo, apesar das chuvas e ventos ululantes,
 eclodem flores nas japoneiras
e abrem as corolas astúlipas e narcisos
 espelhando formas e cor
 nas poças de água que a chuva lhes formou ao redor...

e apesar de tudo... é belo.
é sempre belo.

onde a esperança  para esta natureza martirizada?...
ou tudo isto é apenas prelúdio 
de um longo sofrimento de há muito anunciado?...

'que o não seja, que o não seja'... -murmuro em preces ansiosas 
a desejar sentir o perfume 
e ver
- ainda e sempre
enquanto viver -
 a cor das rosas 
num verão tranquilo...

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