Escrevinhar foi sempre em mim uma mania, mas cedo se tornou uma necessidade para arrumar pensamentos, descarregar e afastar emoções e encontrar no papel aquele amigo/a imaginário que nunca se teve, ou raramente se encontrou ao nosso lado para receber um consolo, um conselho ou apenas um carinho.
Nem sei mesmo se será sempre a necessidade de comunicar com outrem, sobretudo quando se faz nas ruas virtuais cada vez mais alargadas, globalizadas. Escrevinhar foi também forma de esgotar experiências que o dia a dia, no confronto com os outros, fossem próximos ou estranhos, me tocavam o espírito com maior intensidade.
A leitura começou por ser uma forma de esquecer o desgosto de me sentir viva, sensação que cedo se apossou de mim se maltratada frequentemente com injustiça. A injustiça parecia perseguir-me, não só a mim como a outros. E aí nasce um sentimento feroz: revolta, de que nunca mais consegui libertar-me.
Ler, e em breve um como que vício de leitura, levou à vontade de me exprimir por escrito e cedo passou a ser a forma de ser notada no meio escolar. Isso aconteceu pela primeira vez quando fiz a oral do exame da 3ª classe e o examinador teve curiosidade em saber se era verdade o facto que contara na redacção redigida nessa manhã. E era. A partir daí aprendi que a expressão escrita da nossa realidade podia ter contornos que os adultos apreciavam e que podia, , enquanto aluna sem créditos específicos, obter vantagens desse meu ~ parece que natural - pendor para me servir das palavras e dar voz ao pensamento, episódios e emoções.
Tenho montes de cadernos e papéis escrevinhados.
Talvez este sítio me sirva para dar voz a alguns deles... sempre escrevinhando.
E sempre gostei de canetas de bico fininho... que desenhavam sobre o papel caracteres delicados.
Gostei sempre de escrever levezinho. Dramas e dramalhões nunca se deram bem comigo. Tragédias, só as gregas e cnsequentemente a interpretação dos seus mitos. E gritar... só em silêncio...
Hoje a sociedade grita demais e nunca se habituou a «ouvir» o silêncio... virtude que pode ser exercitada em todo o lado, mesmo no mais barulhento. Este lugar, porém, pode ferir os tímpanos dos seres humanos de tal modo que as gerações do futuro acabarão por nascer já surdas...

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